A motivação: ambição, cobiça I

Por acreditar que estava sendo eliminado da novela, Guilherme de Pádua armou a mão da mulher (Paula Thomaz), com quem mantinha uma relação doentia, possessiva, a ponto de terem tatuado, nos orgãos genitais, os nomes um do outro. Juntos, eles premeditaram e cometeram o crime!

A REDUÇÃO DAS CENAS:

Naquele ano, 1992, a onda de sequestros no Rio de Janeiro havia suscitado a criação do disque denúncia. Achei por bem fazer a divulgação do serviço e, para isto, escrevi, na trama, um sequestro acontecido no núcleo do subúrbio, do qual fazia parte Guilherme de Padua.

Como se pode imaginar, aquele bloco inteiro foi praticamente em cima do sequestro, de modo que as personagens do subúrbio -assassino inclusive-, apareciam com muito destaque.

Bloco entregue, sou comunicada pelo nosso chefe de então, Mario Lucio Vaz, que a única interferência do doutor Roberto Marinho era que não se falasse de sequestro em suas novelas, por acreditar que isso resultaria em incentivo.

Um bloco contem seis capítulos e deve ser entregue toda semana, porque a direção também deve gravar um bloco por semana! Tive uma única noite para refazer tudo. Obviamente que não seria possível reescrever os seis capítulos. Então eu cortei as cenas do subúrbio e aumentei aquelas que não se passavam ali.

Isso aconteceu na mesma semana em que se gravava a cena em que o ônibus da personagem dele incendiava, em que a personagem de Daniella (Yasmin) terminava o namorico com  a personagem dele, e aliou-se  ao fato de que Daniella, incomodada  com  a pressão que Guilherme de Pádua fazia para que ela influenciasse no sentido de aumentar seu papel, passasse a evita-lo. A soma de tudo isso foi o estopim para o cometimento do crime.

Veja alguns trechos do livro que o assassino escreveu. Ele contando o dia do crime e fala de si na terceira pessoa):

não saiam da sua cabeça os capítulos da semana e a péssima impressão que teve de suas novas cenas… (…) o último bloco, no entanto, o deixara apreensivo.

abriu o primeiro dos novos capítulos para tomar conhecimento das cenas de seu personagem e das novas perspectivas de seu trabalho na novela. Começou a folhear com extrema curiosidade que, aos poucos, foi se transformando em aflição, na medida em que constatava a diminuição de suas cenas. (…) Pela primeira vez, dois capítulos foram escritos sem a participação do Bira. No decorrer de tantos meses, isso nunca havia ocorrido! (…) Guilherme sentiu uma ponta de decepção ao constatar o desagradável fato.

Guilherme, no entanto, preferia pensar no pior. Já tinha se conformado com a idéia de “Caio”(personagem de Fabio Assumção), terminar a estória com Yasmin, mas acreditava que se realmente isso acontecesse seria por motivos políticos internos e não pelo mérito do trabalho em si (…) Mas em se tratando da Rede Globo, onde a política costumava “dar as cartas”, tudo o que Guilherme podia era fazer o melhor, sem esperar muito em troca. De qualquer forma, valia a pena “lutar”!

-Então o Bira vai sair da estória, né? -Dona Leda falou normalmente como se a novela fosse apenas mais um trabalho que o filho cumpria, mas sentia um frio na barriga esperando a resposta

Sentia uma vontade quase incontrolável de obter dela, (Daniella)  uma possível explicação consoladora para o decrescimento da participação do “Bira”na novela…

 

Veja o que diz Paula Thomaz no Tribunal do Júri, respondendo ao interrogatório do juiz:

 

No próximo post, o assédio, a perseguição com que o criminoso constrangeu Daniella, no dia do crime:

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