Porque a polícia falou de magia negra?

Essas desconfianças não surgiram do nada. As ligações de Guilherme de Pádua e Paula Thomaz com a magia eram bem conhecidas, e deixaram rastro na maneira como o crime foi cometido. Isso não tem nada a ver com a motivação, só diz respeito à forma ritualística como executaram o assassinato. Os  indícios impressionaram peritos e policiais, e ganharam as manchetes do noticiário.  O policial Jamil Warwar, que ficou conhecido por elucidar o caso Claudia Lessin Rodrigues, também se manifestou.

Vamos aos indicios apontados:

1. o local: Daniella foi encontrada dentro de um círculo queimado: no interior do círculo a queimada era mais antiga, nas bordas, era recente.

2.ao pé de uma árvore: segundo os especialistas, todo sacrifício humano acontece ao pé de uma árvore. O tronco dessa árvore também estava manchado com a mesma substância, assim como alguns sacos de ensacar laranjas, também encharcados dela.

3. na última segunda feira do ano, em noite de lua nova.(a lua dos sacrifícios)

4. Na palma da mão direita havia uma mancha avermelhada, que a perícia não conseguiu detectar que substância era, mas descarta a possibilidade de qualquer substância conhecida (vol 1 pag 159, vol 2 pag 366)

5. o laudo pericial diz que a causa mortis foi anemia aguda (perda de sangue). No entanto, não havia uma única gota de sangue no local, e o sangue que Antonio Claret lavou dentro do carro dos assassinos não era em quantidade suficiente para justificar isso. É verdade que eles estancaram o sangue com um lençol. Uma jornalista do jornal O Dia  ouviu do porteiro do prédio deles, que  haviam jogado no lixo um lençol cheio de sangue. Publicou, inclusive, a reportagem.

6-a arma do crime foi um punhal, arma utilizada em sacrifícios dessa natureza

7-o primeiro golpe atravessou a traqueia: segundo especialistas, em todo sacrifício, o primeiro golpe atravessa a traqueia

8-os outros golpes foram dados formando um círculo em torno do coração

A esses elementos, somou-se a conhecida ligação de Guilherme de Pádua e Paula Thomaz com cultos e rituais de magia Apesar de se declarar “espírita” quando de sua identificação na polícia (vol 1 pag 26), o comportamento do casal não corresponde em nada a esta religião, nem a nenhuma outra conhecida.

Dona Hannerole Haupt, a síndica do prédio deles, conta:

 

A revista ASTRAL de dezembro de 1992, nas bancas à época do crime, traz uma entrevista com Guilherme de Pádua, onde ele diz que seu tempo é sua casa, sua religião é sua mulher. E que tem um mentor espiritual a quem chamava Francisco:

Ele  é de Minas também, do interior de Minas, mas mora aqui no Rio, perto. Então eu vou com a Paula, a gente vai e conversa com ele horas, e ele é uma pessoa que fala coisas assim, por exemplo, ele tem ensinamentos (…) levo um feijão, sabe, umas coisas que ele gosta, às vezes trago de Minas. É uma pessoa maravilhosa. É o meu melhor amigo

Estranhamente, o melhor amigo não apareceu durante o processo inteiro.

Em depoimento constante no processo, o policial Valdir, que fez parte da equipe de policiais que conduziu Paula Thomaz para a delegacia, conta que, ao chegar, tentaram impedir que os policiais falassem com Paula a pretexto de que “estava dormindo”. Estava presente um homem que se apresentou como pastor da Igreja Mística, e a teria feito dormir “sob rezas”.  Este pastor, conta o policial, relatou a ele:

que no entender dele, o casamento do casal, PAULA e GUILHERME, não duraria seis meses tendo em vista que o local era um centro de espíritos maus

Havia a imagem, com a “forma” de um preto velho, que ficava no quarto do casal, onde era alimentada. Vocês dirão: mas o preto velho não é uma entidade de magia negra. Não, não é. Mas eu fui à loja onde Guilherme de Pádua afirmou que teria comprado o preto velho, ali numa galeria do posto 6, e  fiquei sabendo: realmente ele esteve lá para escolher a forma da imagem, mas não a comprou. Perguntou onde ela era fabricada, queria a sua sob encomenda, porque precisava colocar determinado conteúdo em seu interior. O dono da loja indicou o fabricante, no mercadão de Madureira. E lá ele fez a encomenda.

O que a perícia encontrou dentro dessa imagem não tem absolutamente nada a ver com o preto velho da umbanda. Veja o laudo (pag 1 e pag 2_) De acordo com o dono da loja a que já me referi, muitos adeptos de magia utilizam até a imagem de cristo para disfarçar seus cultos. O que importa, ele me disse: é o conteúdo, o que a imagem traz dentro dela. O exterior é disfarce.

Quando Guilherme de Pádua atuava, a imagem ia ao teatro dentro de uma sacola levada por Paula Thomaz. E era retirada, para assistir o espetáculo, causando constrangimento e medo aos atores, no palco e nos camarins. Ela confirma o fato em depoimento ao Juiz (Sumário de culpa, vol 2, pag 300)

Vejam o depoimento de Mauricio Mattar na Justiça:

A empregada Luzinete diz em depoimento que a imagem ficava no quarto do  casal, e que ali depositavam comida, acendiam velas e faziam outras práticas; que viu o casal saindo com a imagem numa bolsa, que Guilherme colocou a imagem na bolsa (vol 2)

Essa imagem foi quebrada pela mãe de Guilherme de Pádua. Consta do processo que, ao saber que a polícia estava à caminho da casa, ela atirou a imagem no chão dizendo “isso vai prejudicar Guilherme ainda mais”!

O estranho comportamento de  Guilherme de Pádua no fim de semana que anteceu o crime, foi registrados numa reportagem do SBT

Havia um pacto entre o casal de assassinos, selado, inclusive, com a tatuagem nos órgãos genitais de um e outro. O tatuador Helio Tatoo,  prestou depoimento e mostrou-se impressionado com a frieza de Paula Thomaz: fez a tatuagem na região crural, dentro da virilha, sem anestesia.

A cor dos dois era vermelha e branca.Ambos usavam fitas vermelho e brancas presas no corpo.  Guilherme de Pádua causava transtorno na hora de se trocar no camarim: segundo relato das camareiras, ninguém podia tocar nas fitas, e que era preciso esconde-las para as gravações. O ginecologista de Paula Thomaz, dr Fernando Pedrosa, também se referiu a essas fitas.

Os assassinos casaram vestidos de vermelho e branco, e a casa que estavam montando também tinha todos os cômodos em  vermelho e branco. No dia do crime, Guilherme de Pádua usou uma camisa vermelha. Não sabemos com que cor estava Paula Thomaz, porque suas roupas nem sequer chegaram ao IML.

Especialistas informam que os rituais de sacrificio na magia negra são de natureza bem diferente daqueles feitos pelas religiões africanas. Na umbanda e no candomblé, segundo eles,  paga-se ao santo depois que se recebe a graça. No pacto demoníaco é o contrário: paga-se primeiro. Segue-se um período de grande tumulto e,  depois disso, vem o tempo de colher a recompensa prometida.

Diante dos malabarismos que Guilherme de Pádua tem feito ultimamente para voltar aos holofotes, fico pensando se ele não está acreditando que esse tempo chegou!

ATUALIZANDO

O Bruxo, mentor e guia,  a quem Guilherme de Pádua se referia chamava-se Chico Preto, e era um feiticeiro de magia negra  muito famoso em  Montes Claros, MG, onde tinha fama de “matador”!

O assassino o visitava frequentemente, e participava de suas cerimônias.

Há um estudo, recentemente apresentado na UNIMONTES (Universidade de Monstes Claros), sobre Chico Preto e sua sucessora, Rosa. O título diz tudo: ROSA DIABO E AS TRADIÇÕES RELIGIOSAS DAS PRÁTICAS DE CHICO PRETO.

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104 Responses to Porque a polícia falou de magia negra?

  1. Marcos Garcia 05/12/2015 at 3:36 am #

    Ha alguns anos decidi me afastar de toda e qualquer religião. Tirar a religiao da minha vida, sem medo e certo de que qualquer onus e bonus corre por minha conta. Porque muitos pensam: se deu certo, e porque “deus” ajudou; se deu errado e porque o “diabo” atrapalhou. Qualquer pessoa que passe a rezar, orar ou seguir um deus, uma entidade, um ser “de luz”, corre o risco de fazer coisas absurdas. Meus templos: meu corpo e minha casa. Ninguem tem o direito e profana-los. Simples assim. Nao ter nenhuma religião e libertar-se de tudo. Nao ter religiao e ter a certeza e aceitar as coisas que a vida nos impõe: alegrias, tristezas, partidas, chegadas.

  2. Marcos Garcia 05/12/2015 at 3:29 am #

    A coisa e sinistra mesmo. Milhares de pessoas somem como po, nao deixam nem rastro. Eu tenho muito medo que coisas deste tipo acontecam. Existe um menino que ha muitos anos desapareceu (ficou so a bicicleta na rua). Nunca + acharam. Me pergunto: o que aconteceu, quem foi, para onde foi, o que foi feito? No casa da Daniela, o corpo ficou ali, presente. Mas o que e de espantar, e o cara virar pastor e ter fieis deitando dizimos para a igreja dele. E o cumulo, e uma insanidade. Ai se ve como as pessoas sao bobas e trouxas.

  3. vanessa 04/01/2015 at 5:27 am #

    Olá Glória, estive em Montes claros no ano de 2013 na casa da minha sogra e passeando pela cidade me contaram sobre a história desse Chico e tbm vi o sobrado dele de lajota muito sinistro…..

  4. Maxlaine Cardoso Pedroso 01/04/2014 at 1:00 am #

    Vi que citaram o meu email mais acima. Porem digo sou sim parente de chico preto porem, nao moro em montes claro, e quando ocorreu o caso de Daniela perez era criança. Engraçado que citaram meu email sem me conhecer e anonimo pois nao tem coragem de assumir quem é. e quando era criança vi ela duas vezes somente.

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