Crime, um bom negócio – Affonso Romano de Santanna

Confesso que não sei o que faria se uma filha minha fosse assassinada e eu visse o criminoso ser solto por aí. Meu primeiro sentimento (e o da maioria das pessoas) seria de realizar com as próprias mãos a justiça que a Justiça se nega a fazer.“Isso é a volta à barbárie!”, ouço alguém murmurar.Mas pergunto se já não é um retorno à barbárie soltar criminosos e ainda celebrar isto como vitória judicial.

Lá em Brasília, tentam inocentar quatro criminosos que queimaram o índio Galdino. Em Belo Horizonte, o assassino de Emílio Belleti recebeu uma pena branda e seus advogados querem pô-lo na rua já-já. Ainda em Minas, corre essa vergonha judiciária de, legalmente, considerar como cidadão sem mácula Guilherme de Pádua, que, com Paula– sua mulher, também já solta – matou a atriz Daniela Perez. No Rio, nesses dias, fizeram a mesma coisa com um assassino que matou pelas costas, e sem razão nenhuma, um jovem indefeso no mercado da Cobal. Portanto, estamos assistindo a um festival de solturas, a uma apoteose do crime, a uma desajuizada hipocrisia advocatícia dos tribunais.

Digam o que disserem os especialistas,na verdade, todo advogado que defende ou liberta um criminoso é um coadjuvante do crime.Não é coincidência que esses criminosos estejam sendo postos em liberdade por diversos tribunais em diversas partes do País. Se fosse enumerar casos semelhantes por aí, precisaria de todas as páginas deste jornal. Isto não é coincidência, é sintoma. É a revelação de que a indústria do crime é tão próspera que deveria constar nas avaliações do PIB. PIB, que deveria ter o nome Produto Interno Bruto modificado para PBC – Produto Bruto do Crime.

Seria interessante alguém pesquisar a grande contribuição do crime na riqueza nacional. Quantos escritórios de advocacia? Quanto rende o negócio da construção de presídios, da venda de “quentinhas”, das gorjetas e subornos de policiais, dos seqüestros, da venda de armas, do negócio das drogas, dos filmes, dos livros e dos jornais dedicados ao assunto? Estarrecidos, constataríamos que o crime, mais que a religião e os bons sentimentos, move nossas instituições sociais. É o mesmo caso da corrupção. Por que não se extingue a corrupção? Porque ela é uma forma perversa de manipular a distribuição de renda, concentrando-a em algumas mãos..

Mesmo sabendo disto, a gente se indaga: Será que não há um grupo de jovens juristas idealistas, que se aliem a jovens parlamentares idealistas, que iniciem um movimento idealista nacional para mudar as infames leis que botam o mais estúpido criminoso na rua, só porque, durante uns meses, ele mostrou um discutível “bom comportamento” ou é “réu primário”?

Essa teoria do réu primário, que dá a cada cidadão o direito de matar impunemente pelo menos uma pessoa, é a mais surrealistae bárbara das leis. A seguir, assim, dentro de pouco tempo, metade do País terá matado a outra metade, e permanecerá legalmentesolta. Mesmo porque não há presídio suficiente para todos e, como se vê no noticiário, é fácil escapar das grades, ou mesmo lá de dentro continuar gerenciando o próspero negócio do crime.

AFFONSO ROMANO DE SANTANNA


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14 Responses to Crime, um bom negócio – Affonso Romano de Santanna

  1. Sandra Regina 28/12/2012 at 5:54 pm #

    Affonso Romano de Santanna. A pena para um assassino de forma dolosa, não pode ser outra senão a prisão perpétua, é a mais dura pena que pode existir para um psicopata.
    O Brasil é o país da impunidade.Estuprar, matar, roubar e sequestrar à vontade, pra ver esse psicopata de novo atrás das grades.

  2. dayane 28/12/2012 at 5:00 pm #

    a justiça de deus ela tarda mas nunca falha. alguém se lembra quando jesus foi crusificado deus se enfureçeu e começou a mostrar seu poder pros homens. e o que jesus lhe pediu: pai perdoai-os pois els não sabem o que fazem. deus perdoa por que nós não podemos fazer o mesmo. pode ter certeza que essas pessoas quafazem o mal vão pagar vão ter sua punição por que deus é justo. eu sei que é facil pra eu falar pois não foi comigo e talvez se fosse eu ficaria puta da vida pois eu sou mãe e não me vejo sem meu filho..mas ai me lembro de deus e me acalmo vejo tantas injustiças onde moro q as vezes tenho vontade de fazer justiça com minhas propias mãos. mas ai me lembro de jesus q sofreu tanto pense entrga nas mãos dele e ele tudo fará..

  3. patricia 28/10/2012 at 4:10 am #

    Por mais a impunidade aconteça. A justiça de deus não demora ele mostra verdade seja com quém for que aconteça
    o crime terar puniçao seja qual for o criminoso solto ou nao
    pagarar pelo seus atos.

  4. Henrique Medeiros 07/10/2012 at 10:18 pm #

    Essa lei que permite réus primários obterem benecício de regressão de pena é uma verdadeira aberração jurídica.
    Para crimes como homicidios dolosos e outros crimes ediondos deve-se aplicar a pena de prisão perpétua. Com isso essa festa de assassinos ficaram pouco tempo na cadeia, quando ficam, irá acabar.
    Eu sou a favor da vida e portanto não concordo com a pena de morte. De qualquer forma, nada, nada mesmo pode ser pior como punição do que uma pessoa passaar o resto de sua vida preso em um cela. Isso sim é punição…

  5. Henrique Medeiros 06/10/2012 at 5:10 pm #

    Affonso,

    Concordo plenamente. Essa teoria do réu primário é uma aberração jurídica. A pena para uma pessoa que mata de forma dolosa, desde que devidamente compravado, não pode ser outra senão prisão perpétua. O que significa que essa canalhice de soltar uma assassino em poucos anos não seria mais possível. A prisão perpétua é a mais dura pena que pode existir para um assassino, pois além de eu ser a favor da vida, a morte para essas pessoas seria um alívio. Imaginem passar o resto da vida preso. Isso sim é punição.

    Abraço
    Henrique Medeiros

  6. Ju 30/06/2012 at 1:52 am #

    “Essa teoria do réu primário, que dá a cada cidadão o direito de matar impunemente pelo menos uma pessoa, é a mais surrealistae bárbara das leis. ” Só aqui no bananão isso acontece!

  7. Érika 13/07/2011 at 3:59 pm #

    O que dá mais vergonha é que se considera “bom” advogado aquele (eu sou advogada) que consegue “habeas corpus” para um indivíduo que dirige a 150 km (dentro de uma via pública)por hora e mata uma pessoa (no caso, a uma jovem colega baiana de 28 anos de idade que morreu na hora), a justiça arbitra uma fiança de R$ 300.000,00 e o sujeito responde em liberdade. Pela lei brasileira todo cidadão tem o direito a se defender…mas, tem do direito a matar também? Tem o direito a invadir o espaço alheio (nos dois sentidos)? Deve-se manter o delito de homicídio doloso pq, com toda certeza, quem dirige embriagada a 150 km por hora numa rua dentro da cidade não pode confundir com a pista de interlagos! CANSA tanto descaso com a vida humana e, sinceramente não sei quando isso vai terminar!

  8. Andreza Alcantara 09/06/2011 at 2:33 am #

    Que formas existem para mudar a Constituicao e combater a impunidade? Eu gostaria tanto de saber… por enquanto so continuo com a mesma posicao, se a justica nao existe todos os assassinos deveriam morrer de uma forma ou de outra. Se eu tivesse um pouquinho do sangue frio deles faria isso tambem, menos um verme no mundo, menos dois, menos tres… isso sim seria justica. Demorou demais pra ter pena de morte e prisao perpetua no Brasil, seria um pais muito melhor em que eu me orgulharia de dizer que sou brasileira.

  9. Kelly Cristina Leal 12/04/2011 at 5:12 pm #

    É verdade Irene… infelizmente.

  10. Irene Ribeiro 12/04/2011 at 4:07 pm #

    Bem-vindos ao Brasil, O PAÍS DA IMPUNIDADE. Mate, roube, estupre, sequestre à vontade, aqui tudo pode, pra vc psicopata, a diversão é garantida, pra vc assassino, estuprador, pedófilo…
    Aff.

  11. Palewa Merçon 27/09/2010 at 12:57 am #

    Visito sempre o blog e procuro comentar (já que agora consigo, rs)… como ontem foi seu aniversário Glória, eu achei que talvez vc tivesse acrescentado aqui, nesse espaço, arquivos novas da Daniella, mas não. SNIF! Atualizaaaaa Glorinha! PLEASE!

    Quando aquele assassino IMUNDO foi no programa do Ratinho enrolar todo mundo mais uma vez (a sofisticada manipulação de sempre para atrair a atenção da imprensa para ele), ele citou que é difícil ser o Guilherme de Pádua. Porém, eu acho que deve ser muito mais difícil ser a Glória Perez. Afinal é vc que encara todos os dias a ausência da Dany e ainda tem que aturar o exibicionismo do psicopata que matou sua filha tentando parecer um “santo” hoje em dia, valendo lembrar que Daniella era em 1992 tão jovem, que estava num momento muito feliz e crescendo profissionalmente. É vc que tem que suportar a liberdade dos assassinos com suas fichas imerecidamente limpas, enquanto Dany hoje é só uma lembrança boa… muita força sempre Glória, vc merece encontrar a paz e ser feliz. Não se esqueça daqueles que sempre te apóiam no orkut, nos blogs, no twitter, etc. e que pedem para vc postar mais coisas sobre a Dany. Quando tiver um tempinho, atualiza esse blog e não poupe informaçõs e arquivos. Para nós, eternos fãs da Dany, é sempre um grande presente e conforto ter algo novo sobre ela para ler, ver, ouvir… lembre-se disso, querida. Um forte abraço!

  12. Patricia Demke 09/07/2010 at 4:25 am #

    Fico me perguntando se não seria melhor abrir as portas das cadeias do país todo e deixar soltor todos os assassinos, estupradores, todos os bandidos das piores espécies a solta. Já vivemos numa época em que é “um pouco” mais seguro ficarmos em casa com as portas trancadas a 7 chaves, correntes, vigilantes, câmeras, cercas elétricas e toda sorte de parafernálias eletrônicas que nos dão falsa impressão de segurança. Estamos mesmo condenados a “prisão domiciliar”! Os bárbaros nas ruas e nós trancados… É triste.

    Força, Glória, querida. A justiça maior é a de Deus. sei que você já deve ter ouvido isto um milhão de vezes. Daniella não será esquecida, estará para sempre em nossos corações, nossas memórias.

    Abraços.

  13. Gerald Lafauci 17/06/2010 at 9:36 am #

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